Conan o Bárbaro: A Essência do Herói de Espada e Feitiçaria
Saudações aos que ousam adentram esse recando sombrio e ermo.
Nos últimos dias eu tenho estado às voltas com o universo da Espada e Feitiçaria, explorando uma terra de exília ambientada na Era Hiboreana criada pela mente "perturbada" de Robert E Howard e desbravada por aquele que se tornou o seu personagem mais icônico e talvez o personagem mais famoso da cultura pop do último século: Conan, o bárbaro.
Bem, eu sempre fui muito influênciado pela estética da Espada e Feitiçaria, muito antes de saber que isso era uma "estética" e também um "gênero literário" mais velho que os meus pais. Já falei sobre isso em vários posts no passado, de como a "Espada e Feitiçaria" influênciou e moldou o universo fantástico sobre o qual escrevo. Mas como explicar o que define a estética da Espada e Feitiçaria?
Vou tentar fazer isso, seguindo o caminho da ambientação que é comum a este gênero: Imagine um mundo à beira do abismo, onde o eco de civilizações há muito caídas ressoa em ruínas cobertas de musgo e mistério. Cataclismos esquecidos e guerras ancestrais varreram impérios outrora grandiosos, deixando para trás apenas sussurros de segredos sombrios que se agarram a templos desmoronados e fortalezas amaldiçoadas, perdidas em ermos inóspitos.
Nessas terras selvagens, bestas pré-históricas ainda espreitam nas profundezas de matas impenetráveis, sombras colossais movendo-se sob o olhar indiferente de céus desolados. Guerreiros cruéis, com corações tão negros quanto suas armaduras, e monarcas déspotas, adornados com joias roubadas e banhados em sangue, disputam poder em tronos instáveis.
É um mundo onde a aventura acena como uma súcubo em uma encruzilhada à meia-noite, prometendo riquezas além da imaginação para aqueles ousados o suficiente para arrancá-las do ventre da terra com o gume de suas lâminas. Mas não espere por heróis imaculados e altruístas! Aqui, os protagonistas são figuras sombrias, movidas por seus próprios desejos egoístas, mais preocupados com o brilho do ouro e a satisfação de seus apetites do que com o futuro nebuloso da humanidade.
A sensualidade pulsa como um tambor de guerra, entrelaçada com a brutalidade fria da violência. Paisagens de beleza selvagem e exuberante escondem perigos letais em cada sombra, e a magia... ah, a magia não é um conto de fadas para crianças mimadas. Ela reside nas mãos de uns poucos indivíduos misteriosos e perigosos, uma força arcaica e imprevisível que sussurra promessas de poder e loucura, uma ameaça constante em vez de uma bênção comum.
Em suma, um caldeirão fervente de perigo, ambição, sangue e sombras, onde a única lei é a da espada e a única certeza é a morte. Este, meu caro leitor, é o coração pulsante do gênero Espada e Feitiçaria. Um lugar onde a aventura é uma dança mortal e a recompensa, se vier, é sempre manchada de sangue.
Que tipo de protagonista combina com um lugar como esse?
Bom, é aqui que vamos começar a falar sobre o Bárbaro mais famoso do mundo geek...
Conan, o Cimério: Um Ícone da Força e Selvageria na Literatura Fantástica
Conan... um nome que soa como o aço encontrando a carne sob um céu crepuscular! Preparem suas almas, leitores sedentos por sangue e magia, pois vamos mergulhar nas profundezas daquele que personifica a selvageria e a força bruta do gênero Espada e Feitiçaria como nenhum outro verme rastejante jamais ousou. Conan não é apenas um monte de músculos e cicatrizes; ele é a própria essência da sobrevivência em um mundo onde deuses mesquinhos e monstros ancestrais espreitam nas sombras.
Dizem que a figura de Conan brotou da mente febril de Robert E. Howard como um demônio conjurado em meio a uma tempestade. O próprio Howard confessou que o cimério simplesmente apareceu, forjado e completo, como se a própria Era Hiboriana tivesse vomitado sua mais temível criação diretamente para as páginas. Ele era a soma de todos os canalhas, valentões e trabalhadores honestos que Howard conheceu, despojado de qualquer ilusão de heroísmo nobre, tornando-se, ironicamente, um dos seus personagens mais visceralmente reais.
A alma de Conan, meus caros, pode ser destilada em alguns elementos cruciais, como o mais potente dos venenos:
Praticidade Marcial: Esqueçam a dança floreada das espadas dos bardos. Conan luta como um lobo faminto ataca sua presa: rápido, brutal e eficiente. A sutileza da diplomacia e a retórica florida? Bobagens! Diante de uma ameaça, a única língua que Conan realmente domina é o sibilar mortal de sua lâmina, como bem atesta "A Fênix na Espada" (aliás, tem post aqui no Blog sobre esse conto).
Interesse Próprio (e Que Se Dane o Resto): Ao contrário daqueles paladinos imbecis da alta fantasia, obcecados por profecias e o destino do mundo, Conan é movido por uma força muito mais... digamos... primitiva. Dinheiro, aventura, poder, uma boa bebida e talvez uma donzela em perigo (se ela não for muito irritante) – eis os verdadeiros motores deste bárbaro. Essa motivação egoísta o torna deliciosamente complexo e, sejamos honestos, muito mais interessante do que qualquer herói polido e previsível.
Um Estranho em Terra Estranha (Sempre): Seja roubando joias nas vielas fétidas de Zamora ("A Torre do Elefante"), vendendo sua espada para reis decadentes ou até mesmo usurpando um trono para si, Conan nunca se encaixa. Ele é o eterno forasteiro, o bárbaro que ri na cara dos costumes e das hipocrisias da civilização. Sua inteligência selvagem e sua capacidade de ler as pessoas como se fossem pergaminhos antigos o ajudam a navegar por esses mundos com um misto de desprezo e sagacidade.
Força Indomável (Por Crom!): Sim, os músculos de Conan são lendários, capazes de esmagar crânios como uvas maduras. Mas sua verdadeira força reside em sua vontade de ferro, sua recusa obstinada em ser derrotado. Diante de horrores sobrenaturais que fariam qualquer homem civilizado implorar por sua mãe, Conan apenas range os dentes e desembainha sua espada com uma fúria selvagem.
É curioso notar, meus amigos, que a primeira história de Conan a ser publicada foi, na verdade, um remendo de um conto anterior sobre um certo Rei Kull da Atlântida. Howard simplesmente trocou o protagonista, deu um verniz hiboriano e voilà! Nasceu uma lenda. Isso demonstra não apenas o apego de Howard às suas criações, mas também como ele as encaixava em seu vasto e sangrento universo imaginário. Uma reutilização que marcou o nascimento de um ícone, provando que, às vezes, a genialidade reside em dar uma nova roupagem ao que já era visceralmente poderoso.
Em resumo, Conan, o Cimério, é a própria personificação da essência do herói de Espada e Feitiçaria: um guerreiro implacável, movido por seus próprios desejos viscerais, um eterno forasteiro que enfrenta os perigos de um mundo brutal com nada além de sua espada afiada e sua indomável selvageria. Sua alma, forjada no calor da batalha e temperada pelas mais perigosas aventuras, continua a ecoar através dos séculos da literatura fantástica, lembrando-nos que, às vezes, a verdadeira força reside naquilo que é mais primitivo e indomável.
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