🕷 Este outono começou caótico. Estou navegando em meio a ondas agitadas, tanto das águas pessoais quando profissionais e ainda não consegui colocar meu navio na rota costumeira.
Minha esposa fez uma cirurgia na última segunda-feira. Já esperávamos por isso nesse semestre, mas achavamos que isso iria ficar para Julho. Mas não pensamos que tudo dependeria da agenda do hospital também, de modo que a cirurgia foi marcada para a última segunda-feira, o que bagunçou um pouco o nosso planejamento.
Com isso, passei esses dias absorto com este assunto, acompanhando ela no hospital e no pós operatório. Foi uma cirugia simples, e ela teve alta já na terça feira. Porém, vai precisar ficar de repouso por quinze dias.
A irmã dela, a Lulluci, está nos ajudando no dia a dia. E como a Lilian está tendo uma boa recuperação (tirando algumas intercorrências que tivemos no início dessa semana), esperamos voltar para a normalidade em breve.
Resolvi então aproveitar para falar de um conto que reli no hospital, enquanto eu aguardava a senhora Lilian sair da cirurgia (nada como uma boa leitura para sobreviver aos momentos de ansiedade e tensão).
O conto em questão chama-se "Os Profetas do Círculo Negro", do mestre Robert E. Howard, e tem como protagonista o bárbaro mais famoso da cultura pop: Conan, da Ciméria.
Mesmo ao evocar o título desse conto, uma sombra de mistério paira no ar, como a poeira ancestral dos picos himelianos onde a história se desenrola. Permitam-me guiá-los por essa trama tecida pela pena de Robert E. Howard, um mestre da fantasia sombria cuja imaginação fértil nos transporta para eras de selvageria e magia.
Para aqueles que acompanham minhas divagações aqui no O Estranho Mundo de Éder, sabem que meu coração palpita forte pelo gênero Espada e Feitiçaria. E, meus caros, Howard não apenas definiu esse gênero, ele o moldou com a força bruta de seus heróis e a aura sinistra de seus mundos.
"Os Profetas do Círculo Negro", publicado originalmente em três partes na revista Weird Tales em setembro, outubro e novembro de 1933, nos arremessa para as terras ásperas e traiçoeiras que se estendem onde as planícies vendhyanas encontram os penhascos himelianos. Imaginem, a vastidão daquelas montanhas, onde a lei é ditada pela lâmina e segredos ancestrais espreitam nas sombras.
Nesse cenário imponente, somos apresentados a uma figura de nobreza ferida pela tragédia: Yasmina, a Devi de Vendhya. Consumida por um desejo implacável de vingança pela morte de seu irmão, o rei, ela se lança em uma busca perigosa que a leva aos confins do conhecido, em direção a um poder sombrio que reside no temido Monte Yimsha. Os sussurros chegam até ela, relatos de seres misteriosos, os Profetas Negros, envoltos em magia nefasta e capazes de atos de poder inimagináveis.
E então, em meio a essa teia de vingança e ameaça sobrenatural, surge ele: Conan da Ciméria. Inicialmente, o cimério se vê envolvido nesta intrincada dança de poder por uma questão de lealdade tribal. Sete de seus guerreiros montanheses foram aprisionados, e a notícia chega até ele com promessas e ultimatos. O governador de Peshkhauri, Chunder Shan, busca usar esses prisioneiros como moeda de troca, esperando atrair o líder bárbaro para negociar sua libertação.
Ao observarmos de perto, sentimos a tensão palpável. Conan, um homem forjado na rudeza da Ciméria, desconfia naturalmente das artimanhas dos homens civilizados. A ideia de uma armadilha o ronda, e sua prudência bárbara o mantém alerta. Mas a ligação com seus homens e o senso de responsabilidade de um chefe o impulsionam a se aproximar do epicentro do perigo.
A Devi Yasmina, por sua vez, movida por uma dor lancinante e uma determinação inabalável, não hesita em se lançar no coração das sombras. Sua busca pelos assassinos de seu irmão a leva a estudar textos proibidos como o Livro de Skelos e a buscar o conhecimento de eremitas reclusos nas cavernas abaixo de Jhelai. Ela está convencida de que os Profetas Negros do Monte Yimsha são os responsáveis pela tragédia que a consome. Não me recordo se este é o primeiro conto do Howard que menciona Skelos, mas certamente este é um dos contos que inspiraram vários dos elementos presentes no game Conan Exiles (como o poço de Skelos, o pergaminho dos cultistas de Skelos, entre outras coisas).
Nossos olhares acompanham os primeiros encontros entre esses dois personagens poderosos, Yasmina e Conan. Seus caminhos se cruzam em meio a intrigas palacianas e a ameaça constante dos inimigos de ambos. A Devi, uma figura de autoridade acostumada ao poder, encontra no bárbaro uma força bruta e uma astúcia selvagem que a surpreendem. Conan, por sua vez, percebe na rainha de Vendhya uma determinação ardente e uma nobreza desafiadora.
A narrativa nos leva então em direção ao Monte Yimsha, um lugar envolto em mistério e temor. Os boatos que circulam sobre os Profetas Negros são suficientes para gelar o sangue nas veias. Fala-se de magia ancestral, rituais sombrios e um poder que transcende a compreensão mortal. Conan, com sua desconfiança inata pelo sobrenatural, sente o peso dessa ameaça iminente enquanto se aproxima da fortaleza dos Profetas.
Ao longo da jornada, testemunhamos a astúcia de Conan em lidar com seus inimigos, sejam eles guerreiros tribais, governadores corruptos ou as sombras sinistras que emanam do Monte Yimsha. Sua capacidade de adaptação e sua ferocidade em combate são seus maiores trunfos em um mundo onde a traição espreita a cada esquina.
A Devi Yasmina, apesar de sua sede de vingança, também demonstra uma coragem admirável ao enfrentar perigos desconhecidos e ao se aliar a um bárbaro para alcançar seus objetivos. Sua determinação em desvendar os segredos dos Profetas Negros a impulsiona através de obstáculos que fariam muitos outros recuarem.
À medida que a trama se aprofunda, sentimos a crescente influência dos Profetas Negros e sua magia sinistra. Há indícios de poderes hipnóticos, de planos maquiavélicos que se estendem por vastas regiões, e de uma rede de seguidores leais e temíveis. A fortaleza no Monte Yimsha se revela como um centro de poder oculto, um lugar onde a realidade pode ser distorcida e a morte espreita em cada sombra.
Aliás, é desse conto que saiu mais uma inspiração para elementos do game Conan Exiles; no caso uma das religiões do game: a religião de Zath para ser mais preciso, cuja divindade é uma terrível aranha gigante e cujo templo é capaz de criar orbes de jade negro do qual aranhas venenosas mortais nascem unica e exclusivamente para matar seus alvos. Mas voltemos para a trama...
Conan e Yasmina, cada um com seus próprios motivos e objetivos, se encontram em uma luta desesperada contra um inimigo que parece possuir forças além do mortal. A ação se intensifica à medida que eles se aproximam do confronto final com os Profetas Negros, e a atmosfera de mistério se adensa, deixando-nos apreensivos sobre o que encontrarão no coração sombrio do Monte Yimsha.
Posso dizer, sem revelar os segredos que as páginas guardam, que a jornada de Conan e Yasmina até o Monte Yimsha é repleta de perigos inesperados, alianças incertas e confrontos que testam os limites de sua força e coragem. A sombra dos Profetas Negros se estende sobre toda a narrativa, prometendo um clímax onde a espada se chocará com a feitiçaria em um duelo pelo destino de Vendhya.
"Os Profetas do Círculo Negro" é, sem dúvida, uma joia na coroa da fantasia sombria de Robert E. Howard. Através de sua prosa vívida e da construção de personagens memoráveis, ele nos transporta para um mundo de perigos reais e ameaças sobrenaturais, onde um bárbaro cimério e uma rainha vingativa se unem em uma busca por justiça e sobrevivência. Uma aventura que ecoa através das eras, mantendo-nos presos à sua aura de mistério e ação implacável.
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